sexta-feira, 14 de março de 2014

Pressão Venosa Central (PVC)

Em termos fisiológicos, a mensuração da PVC é um métodos acurado da estimação da pressão de enchimento do ventrículo direito, de grande relevância na interpretação de sua função.
O método de mensuração da PVC com coluna de água, devido à sua extrema simplicidade e baixo custo, é bastante popular e largamente utilizado, dispensando transdutores eletrônicos sofisticados.
Quando utilizada de maneira criteriosa e sempre que possível associada a outros parâmetros clínicos e hemodinâmico, a PVC é um dado extremamente útil na avaliação das condições cardiocirculatórias de pacientes em estado crítico.
Segundo Araújo, os valores esperados da PVC, mensurada através da linha axilar média como "zero" de referência, estão entre 6 - 10 cm H2O (através da coluna d'água) ou de 3 - 6 mmHg (através do transdutor eletrônico).

Mensuração da PVC

Para a mensuração da PVC, é necessário o posicionamento de um cateter em veia central (veia cava superior), comumente utilizando-se de punção percutânea de veia subclávia ou veia jugular interna. É checado radiológicamente para certificar-se que o cateter esteja bem posicionado e não esteja dentro do átrio direito.

Pode-se utilizar para a mensuração da PVC, um manômetro de água graduado em cm ou um transdutor eletrônico calibrado em mmHg. Espera-se que haja oscilação da coluna d'água ou do gráfico no monitor, acompanhando os movimentos respiratórios do paciente.

Materiais necessários para se monitorizar uma PVC em Coluna de água.
Monitorização em coluna de água:

01 equipo de monitorização de PVC;


01 frasco de solução fisiológica (100 ou 250 ml);

Fita adesiva;

Régua de nível.

Montando o sistema de coluna d'água

Separa-se o material e leve-o até o paciente.
Abra o equipo e conecte à solução fisiológica, retirando todo o ar do equipo (das duas vias). Coloque-o e um suporte para soluções e aguarde.


Com a régua de nível, encontre a linha "zero"de referência (ver Encontrando o "zero" de referência) e marque no suporte de soluções, a altura encontrada na linha "zero".

Fixe a fita graduada (vem junto ao equipo), começando no nº. -10- (coloca-se e 10 pois algumas camas tem ajustes de altura, podendo interferir na aferição da PVC) , deixando-a completamente estendida.
Pegue o equipo, e fixe junto ao nº. -10- a região do equipo em que ele se divide em duas vias.

A via mais longa irá ser conectada no paciente. A via curta, fixe junto à fita graduada, de modo que fiquem juntos essa via, o prolongamento simples do equipo e a fita graduada.

Encontrando o "zero" de referência da PVC
Normalmente são utilizados 03 pontos de referência para se medir pressões intravasculares.
05 cm abaixo do ângulo esternal;
o próprio angulo esternal;
a linha axilar média.
Segundo ARAÚJO, o ponto que parece corresponder com mais exatidão à desembocadura das veias cavas no átrio direito é a linha axilar média, é é o ponto de referência mais utilizado nas mensurações de PVC. Também ressalta que as equipes devem estabelecer uma rotina padronizada quando vão realizar as mensurações de pressão intravascular, para que sejam mais precisas e confiáveis as medidas da PVC.

Coloca-se o paciente em decúbito dorsal horizontal. Encontra-se a linha "zero" através da linha axilar média, observando em que número se encontra diante à escala do equipo de PVC. (Convém encontrar o "zero" todas as vezes em que se forem realizar as medidas, pois existem algumas camas que tem regulagem de altura, e pode ter sido alterada).


Encontrando e registrando o valor da PVCSegue-se todos os passos para se encontrar o valor "zero" da PVC.

Abra o equipo para que se preencha a via da coluna graduada com solução fisiológica.
Então abra a via do paciente, fazendo descer a solução da coluna graduada, observando até que entre em equilíbrio com a pressão venossa central, anotando-se esse valor.
Agora, diminua esse valor com o valor do "zero" de referência e se tem o valor da PVC.
Clique para ver o o exemplo do cálculo da PVC.
Parte superior do formulário
Parte inferior do formulário

Cuidados importantes

Verifique se existem outras soluções correndo no memso acesso venoso central. Caso ocorra, feche todas, deixando apenas a via do equipo da PVC. Ao término da aferição, retorne o gotejamento normal das outras infusões (caso existam). Outras infusões alteram o valor real da PVC.
Fique atento aos valores da PVC. Valores muito baixos podem indicar baixa volemia, e valores muito altos, sobrecarga hídrica.
Normalmente a coluna d'água ou as curvas em monitor oscilam de acordo com a respiração do paciente. Caso isso não ocorra, investigue a possibilidade do catéter estar dobrado ou não totalmente pérvio.
O balanço hídrico é importante. Registre a cada 24 horas na folha de controle hídrico, o volume de solução infundido nas aferições da PVC.




quarta-feira, 12 de março de 2014

ENTUBAÇÃO OROTRAQUEAL

Finalidades:
- Promover ventilação artificial; evitar PCR.

Material Necessário:
- 01 Cânula endotraqueal, 01 laringoscópio, 01 par de luva esterilizada, 01 par de luva de procedimento, máscara,  01 óculos, Xylocaína spray e gel, 01 seringa 20ml, cadarço,  01 ambu, 01 fio-guia, esterelizado.

Pré - Execução:
- Constatar ausência e/ou deficiência respiratória;
- Reunir o material;
- Solicitar saída de familiares

Execução:
- Dispor o material próximo ao leito;
- Testar laringoscópio;
- Calçar luva de procedimento;
- Testar cuff da cânula;
- Lubrificar a extremidade distal da cânula com Xylocaína gel;
- Introduzir fio guia na cânula (se necessário);
- Oferecer máscara, luva esterilizada e óculos ao médico plantonista;
- Oferecer laringo e cânula ao médico plantonista;
- Auxiliar no procedimento;
- Insuflar o cuff da cânula (cânulas abaixo do n° 5, não possuem cuff);
- Revezar no ambu, se necessário;
- Fixar a cânula  com o cadarço;
- Manter a unidade em ordem.

Pós - Execução:
- Desprezar o material utilizado no expurgo;
- Lavar as mãos;
- Repor o material de entubação;
- Fazer as anotações necessárias;
- Supervisionar e avaliar continuamente o procedimento realizado.

Avaliação:  
- Avaliar rigorosamente a saturação de oxigênio;
- Avaliar expansão torácica:
- Avaliar traumatismo de orofaringe:
- Avaliar sangramento oral ou orotraqueal ;
- Avaliar fixação da cânula:
- Avaliar perfusão periférica.

Riscos / Tomada de Decisão:
- Em caso de Traumatismo oral ou queda de dentes, promover compressão local quando possível, retirar corpo estranho
 (dentes);
- Seguir prescrição médica,  verificar solicitação de avaliação da Endoscopia / Broncoscopia   para   avaliar
a extensão da lesão;
- Em caso de Entubação, auxiliar o médico para melhor posicionamento da cânula;
- Em caso de Extubação, informar ao médico e providenciar material com urgência para nova Entubação.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Fascite Necrosante:

O que é?


É uma infecção bacteriana destrutiva e rapidamente progressiva do tecido subcutâneo e fáscia, superficial                

conhecido como síndrome comer carne ou comer carne-doença. É uma condição em que existe uma infecção das camadas mais profundas da pele e tecidos subcutâneos. Em geral, a infecção pode ocorrer em qualquer parte do corpo. É principalmente começa nos planos fasciais dos tecidos conjuntivos. Isso leva a uma necrose dos tecidos. A infecção espalha rapidamente para outras partes do corpo.
A doença é caracterizada por uma série de sintomas como:

Dor

Uma parte do corpo recentemente feridos pode começar a causar muito mais dor do que deveria, em circunstâncias normais.

Estrias vermelhas

Estrias vermelhas podem aparecer ao redor da ferida da pessoa que sofre.

Pus

A ferida pode também drenar pus em alguns casos.

Cor da Pele mudou

A pele pode mudar sua cor e fica vermelha ou violeta.

Inflamação no tecido

Em casos avançados da doença, o tecido pode ficar inchado. Os gânglios linfáticos nas axilas, pescoço e virilha podem ficar inchados.

Aumento da temperatura da pele

O doente pode experimentar gostosura na área infectada da pele.

Diarreia

Pacientes com fasciíte necrotizante muitas vezes sofrem de diarreia nas fases iniciais da infecção.

Náusea

Sofrem comumente sentir náuseas quando eles são atingidos por esta infecção.

Vômitos

O desconforto físico em doentes muitas vezes faz com que eles vomitar.

Blister

As bolhas podem também surgir na pele das pessoas que sofrem nas fases iniciais da doença.

Dano Tissue

Isto acontece se a infecção se espalha para outras áreas do corpo, o que geralmente acontece em pacientes com tais condições. Ele rapidamente danifica os tecidos e os resultados em falência de órgãos e até morte durante Fasciíte necrosante aguda.


Necrosante Prevenção Fasciíte:


Prática de boa higiene

Tomar banho regularmente e vestindo roupas limpas e roupas pode ajudar quem sofre de evitar a infecção bacteriana da pele.

Lavar as Mãos

Higiene velho bom é uma das melhores formas de combater esta doença. Lavar as mãos regularmente, de preferência com sabão, para manter as infecções na baía.

Usando Desinfetantes

Usar desinfetantes quase imediatamente assim que houver um corte ou ferimento em sua pele.

Necrosante Diagnóstico Fasceíte

Médicos normalmente diagnosticar a doença por meio de observação e pedindo rapidez com que os sintomas começaram a aparecer. Note-se também que rapidez a infecção se espalha. Uma amostra do tecido infectado é examinado para detectar a presença de bactérias.
Em alguns casos, um Raio-X, ressonância magnética ou tomografia computadorizada também é realizado no paciente para verificar a propagação de infecção ou para ver se algum órgão foi ferido.

Necrosante Tratamento Fasceíte

Tratar Fasciíte necrosante em estágios iniciais geralmente é feito com a ajuda de antibióticos. Intravenosos antibióticos como a penicilina, vancomicina e clindamicina são muitas vezes utilizados em combinação, assim como os primeiros sintomas são detectados. A cultura de tecidos é realizado para verificar o efeito dos antibióticos. Um curso separado dos antibióticos podem ser administrados de acordo com os resultados da cultura.
Em casos agudos fascite necrosante, tratamento com oxigênio hiperbárico pode ser usado. No entanto, o tratamento não é amplamente disponível e amputação da parte afectada através de meios cirúrgicos podem ser necessários. Tecido necrótico adicional também deve ser removido após cirurgias. A enxertia da pele também pode ser necessário para tratar as feridas abertas.

Fasceíte necrotizante Fotos:













Bom Dia!!!

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Medicamentos

Norepinefrina: Hipotensão, choque, ressuscitação cardiopulmonar.

Dormonid/Midazolam:  Sedativo, indutor do sono.

Fentanil: Analgésico entorpecente.

 Digesan/Bromoprida: Náuseas Vômitos.

Fluconazol: Tratamento de candidíase vaginal aguda ou recorrente.

Omeprazol: Ulcera gástrica, duodenal esofagite de refluxo evita a acidez gástrica.

Meronem/ Meropenem: Infecções do trato respiratório infecções do trato urinário
infecções de pele, infecções intra-abdominais.

Vancomicina: Antibacteriano,

Manitol: Diurético  serve para edema cerebral hipertensão intraocular, hipertensão intracraniana, insuficiência renal aguda.

Dobutamina: Estimulante cardíaco;

Dopamina/ Revivan: Vasopressor, estimulante cardíaco adrenérgico.

Furosemida/ Lasix: Edema, hipertensão, hipercalcemia, diurético.

Haldol/ Haloperidol: é indicado para soluços, náuseas, vômitos, agitação psicomotora, delírios.

Solumedrol/ Metilprednisolona: Anti-inflamatório, imunossupressor,

Solucortef/ Hidrocortizona/ Flebocortid: anti-inflamatório, imunossupressor, alergia grave.

Nimbium: é utilizado como adjuvante da anestesia ou na sedação na UTI para relaxar os músculos esqueléticos e facilitar a intubação endotraqueal e a ventilação mecânica.







sexta-feira, 13 de julho de 2012

Técnica de calçar luvas estéreis!


  • Lavar as mãos;
  • Segurar com o polegar ou indicador da mão direita, a dobra do punho da mão esquerda, expondo a abertura da mesma;
  • Unir os dedos da mão esquerda com a palma da mãos voltada para cima;
  • Introduzir a mãos esquerda na abertura, tracionando a luva com a mão direita até calça-la;
  • Colocar os dedos indicador, médio, anular e mínimo da mãos esquerda na dobra do punho da luva direita, expondo a abertura da mesma;
  • Unir os dedos da mão direita na abertura apresentada, tracionando a luva com a mão esquerda até calça-la totalmente, inclusive o punho;
  • Unir os dedos da mão direita, introduzindo-as na dobra do punho da luva esquerda, desfazendo a dobra totalmente;
  • Ajustar as luvas.


 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

AVC-O que é? Como identificá-lo?


O acidente vascular cerebral é uma doença caracterizada pelo início agudo de um deficit neurológico (diminuição da função) que persiste por pelo menos 24 horas, refletindo envolvimento focal do sistema nervoso central como resultado de um distúrbio na circulação cerebral que leva a uma redução do aporte de oxigênio às células cerebrais adjacentes ao local do dano com consequente morte dessas células; começa abruptamente, sendo o deficit neurológico máximo no seu início, e podendo progredir ao longo do tempo.
O termo ataque isquêmico transitório (AIT) refere-se ao deficit neurológico transitório com duração de menos de 24 horas até total retorno à normalidade; quando o deficit dura além de 24 horas, com retorno ao normal é dito como um deficit neurológico isquêmico reversível (DNIR).
Podemos dividir o acidente vascular cerebral em duas categorias: 


O acidente vascular isquêmico consiste na oclusão de um vaso sangüíneo que interrompe o fluxo de sangue a uma região específica do cérebro, interferindo com as funções neurológicas dependentes daquela região afetada, produzindo uma sintomatologia ou deficits característicos. Em torno de 80% dos acidentes vasculares cerebrais são isquêmicos.

No acidente vascular hemorrágico existe hemorragia (sangramento) local, com outros fatores complicadores tais como aumento da pressão intracraniana, edema (inchaço) cerebral, entre outros, levando a sinais nem sempre focais. Em torno de 20% dos acidentes vasculares cerebrais são hemorrágicos.

O que se sente?Sinais que precedem um derrame

São os principais sintomas que precedem o AVC:
* Cefaléia intensa e súbita sem causa aparente
* Dormência nos braços e nas pernas
* Dificuldade de falar e perda de equilíbrio
* Diminuição ou perda súbita da força na face, braço ou perna do lado esquerdo ou direito do corpo
* Alteração súbita da sensibilidade, com sensação de formigamento na face, braço ou perna de um lado do corpo
* Perda súbita de visão em um olho ou nos dois
* Alteração aguda da fala, incluindo dificuldade para articular e expressar palavras ou para compreender a linguagem
* Instabilidade, vertigem súbita e intensa e desequilíbrio associado a náuseas ou vômitos
Como identificar o acidente vascular cerebral

* Pedir em primeiro lugar para que a pessoa sorria. Se ela mover sua face só para um dos lados, pode estar tendo um AVC.
* Pedir para que que levante os braços. Caso haja dificuldades para levantar um deles ou, após levantar os dois, um deles caia, procurar socorro médico.
* Dê uma ordem ou peça que a pessoa repita alguma frase. Se ela não responder ao pedido, pode estar sofrendo um derrame cerebral.
Debora Flores

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012


ÚLCERAS DE PERNA DE ORIGEM VENOSA

  Que são úlceras de perna de origem venosa?
Popularmente conhecidas como úlceras varicosas, decorrem de um transtorno na circulação de retorno das pernas, pois toda a circulação sanguinea de retorno ao coração é feita pelas veias.
Há vários tipos de úlceras de perna:
  • provenientes de ferimentos infectados, ou devidas a doenças infecciosas (sífilis, tuberculose, leishmaniose);

  • por defeitos de glóbulos sanguineos (anemia falciforme);

  • por doenças auto-imunes (esclerodermia);

  • por hipertensão arterial;

  • por má irrigação sanguinea da perna (úlceras isquêmicas);

  • úlceras dos diabéticos;

  • tumores de pele;

  • e úlceras venosas.
Das úlceras de perna, 73% são de origem venosa.
 
  Como se faz a circulação normalmente nestas veias da perna?
Há veias na camada superficial, em meio ao tecido subcutâneo e há veias profundas no meio da camada muscular. A circulação é feita 90% por estas veias profundas que recebem as superficiais e o sangue corre de baixo para cima do pé até o coração e das veias superfzciais para as profundas.
0 fluxo sanguíneo do pé até o coração depende:
  • da contração dos músculos da panturrilha ("barriga da perna ") que espreme as veias e faz o sangue subir.

  • de dispositivos valvulares (pequenos saquinhos na luz da veia) que não permitem que o sangue volte, isto é, impedem o refluxo sanguíneo.

  Quais as dificuldades para o retorno do sangue?
 Subindo pelas veias para o coração o sangue segue contra a ação da gravidade e contra a pressão positiva do abdome. Há fatos que aumentam estas dificuldades, além dos hábitos prejudiciais que diminuem o efeito da "bomba" muscular da panturrilha ("barriga da perna"), tais como:
  • presença de válvulas defeituosas desde o nascimento (congênitas), o que é raro, ou adquiridas (lesadas pela TVP);

  • válvulas que se tornam incompetentes com o aparecimento de varizes;

  • aumento da pressão abdominal nos obesos e gestantes.
Nas gestações, além da compressão das grandes veias do abdome, há a ação hormonal.
Tudo isto permite o refluxo sangüíneo para a parte distal da perna, para os tornozelos.
A estase sangüínea é maior no nível dos tornozelos onde há edema, acúmulo dos dejetos celulares; o sangue é mal oxigenado e a nutrição dos tecidos fica prejudicada; é justamente ai que as úlceras venosas são mais frequentes. Como a maioria das úlceras doem, principalmente quando inflamadas, as pessoas tendem a reduzir muito a movimentação do tornozelo, que em alguns casos fica totalmente rígido. Com isto passam a andar mancando, a musculatura da perna fica atrofiada prejudicando ainda mais a circulação venosa.

   Quais são as causas de úlceras venosas?
Há uma seqüência de eventos: edema (inchação), rompimento de capilares (os menores vasos sanguíneos) e o sangue com seus pigmentos mancha a pele. A pele reage com fenômenos alérgicos - eczema - que dá coceira. Veias mais superficiais nesta pele, já por si inflamada, podem se romper.
Ora, a rotura de uma destas veias, o ferimento provocado pela coçadura nos casos de eczemas, ou pequenos traumatismos (pancadas) produzem feridas que vão se alargando são as úlceras. Em condições normais tais ferimentos cicatrizam rapidamente. Na perna varicosa não ocorre o mesmo.

  Que tratamentos existem para fazer cicatrizar uma úlcera venosa?
  Qual o melhor curativo?
Se o paciente ficar em repouso absoluto com as pernas elevadas elas podem curar-se sozinhas.
Uma das principais medidas é a manutenção da ferida limpa. A limpeza da úlcera se faz com jato de soro, associado ao bicarbonato de sódio para diminuir a sensação de ardência. Vários são os tipos de curativos, mas qualquer um deles deve estar associado à compressão, com ataduras ou meias elásticas corretamente indicadas pelo médico.
Há polaina de tecido e velcro, bem como a clássica e secular Bota de Uma de fabricação caseira. hoje já há a preparada comercialmente. Ela associa à compressão, o curativo com óxido de zinco, mas há pacientes alérgicos a este produto.
Atualmente estão disponíveis diversos tipos de curativos que agem mantendo a ferida fechada. Sua utilização deve ser orientada pelo médico especialista.
Quando as úlceras são extensas e não existe infecção, pode-se fazer enxertia cutânea que, além de abreviar o tempo de cicatrização, permite maior resistência às recidivas, isto é a volta do aparecimento das úlcera.
Em muitos casos de úlceras varicosas há indicação cirúrgica de tratamento das varizes. Esta indicação somente poderá ser feita por médico especialista, após estudo cuidadoso. A cirurgia só poderá ser realizada após a cicatrização da úlcera ou quando a mesma estiver totalmente isenta de material purulento.


Síndrome de Down: o preconceito é a maior barreira

A gravidez traz muitas expectativas e surpresas para os pais. A ultrassonografia que mostra o pequeno coração batendo, os movimentos dentro da barriga da mamãe, a interação entre os pais e o filho.
Síndrome de DownTudo parece perfeito, até que o resultado de um exame traz a notícia de que o bebê tem Síndrome de Down. Os pais já ouviram falar muito sobre o assunto, mas nunca imaginaram que aconteceria com eles. Estima-se que, para cada 700 nascimentos, 1 bebê tenha Down.
Há mais de um século foram escritos os primeiros textos sobre o tema. O médico inglês John Langdon Down descreveu, em 1866, as características de uma síndrome, a qual chamara, na época, de mongolismo, em razão da semelhança dos traços físicos com o povo mongol – termo atualmente considerado extremamente pejorativo. Só no fim da década de 1950 é que o assunto foi um pouco mais detalhado. O médico francês Jerome Lejéune desmistificou o porquê de os bebês nascerem com os mesmos traços: ele identificou uma alteração num dos cromossomos e a nomeou de Síndrome de Down, em homenagem ao especialista que iniciou o tema no meio científico.
Nos últimos anos, o cenário mudou. Os portadores da síndrome participam ativamente da vida familiar, escolar e do lazer. Com mais acesso, tornam-se mais independentes e a auto-estima cresce
A diferença encontrada foi no cromossomo 21. Quando os 23 cromossomos da mãe encontram os 23 vindos do pai, numa das divisões ocorre uma ação ainda não identificada, que faz com que, em vez dos 46 cromossomos esperados, o feto tenha 47. Trata-se da trissomia do cromossomo 21, que ocasiona um trio, no lugar de um par de cromossomos. Essa é a alteração genética mais comum, a trissomia livre.
Há também a translocação cromossômica, que é mais rara e consiste no fato de o cromossomo 21 (extra) estar conectado a outro cromossomo. Nesse caso, na maioria das vezes, o pai ou a mãe já carregam essa alteração. Por fim, há o mosaicismo, que também é raro e caracterizado pelo fato de algumas células terem 46 cromossomos e outras, 47.
Ainda há estudos para levantar quais são os fatores que desencadeiam a síndrome e que pretendem desvendar o que ocorre durante a divisão de células para resultar no problema. Sabe-se apenas que a idade avançada da futura mãe pode facilitar sua ocorrência. A estimativa é de que a partir dos 35 anos haja a probabilidade de 1 entre 275 bebês nascer com essa anomalia genética, enquanto aos 20 anos, é de 1 em 1.600 crianças. Com mais de 40 anos, a previsão chega a ser de 1 bebê em 100.
Esses primeiros passos de Lejéune e Down conduziram a história de luta contra o preconceito da sociedade. Afinal, a informação é a grande aliada contra a discriminação. Os ganhos foram enormes, sobretudo ao pensar que, décadas atrás, as pessoas com Síndrome de Down eram internadas em manicômios, isoladas e subestimadas quanto à sua capacidade. É claro que ainda há muito que fazer em prol dessa causa. Tanto que, em pleno século XXI, ainda há discussões acerca de sua inclusão social.
"Nos últimos anos, o cenário mudou. Os portadores da síndrome participam ativamente da vida familiar, escolar e do lazer. Com mais acesso, tornam-se mais independentes e a auto-estima cresce", garante a dra. Ana Cláudia Brandão, pediatra e coordenadora do Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente com Síndrome de Down do Hospital Israelita Albert Einstein (HIAE).

Traços comuns

Os olhos amendoados, a face achatada, o pescoço curto, os dedos das mãos menores, menor força muscular são características comuns por conta da trissomia do cromossomo 21. A possibilidade de ter doenças associadas – como problemas cardíacos e respiratórios, alterações auditivas, de visão e ortopédicas – também está presente. Mas, como para qualquer outra criança, isso pode ser tratado e deve ser acompanhado por especialistas.
Outra característica comum entre as pessoas com Síndrome de Down é o ritmo particular para aprender. "Apresentam déficit intelectual de nível leve a moderado, dificuldade de aprendizagem de tarefas da vida diária, acadêmica e de raciocínio. Mesmo assim, a maioria das crianças consegue entrar na escola comum, basta ter um currículo adaptado, levando em consideração seu potencial", explica a dra. Ana Cláudia.
Elas merecem ser olhadas pelo potencial que podem desenvolver, pois são capazes. Esse olhar muda a vida da criança
Entretanto, se desde pequenino o bebê receber estímulos motores e cognitivos (de intelecto), conseguirá usar todas as ferramentas a seu favor. As crianças engatinham, andam, correm, sentam. Esse trabalho de terapias estimula o desenvolvimento do equilíbrio, da postura, dos movimentos e do raciocínio. "As práticas garantem o futuro da criança. Assim, quando adulta, terá possibilidade de vida mais independente, de trabalhar, de usar transporte público. Elas merecem ser olhadas pelo potencial que podem desenvolver, pois são capazes. Esse olhar muda a vida da criança", enfatiza a pediatra.

Notícia antecipada

Se antes os pais sabiam que o filho apresentava alguma alteração genética somente após seu nascimento, agora a mamãe pode se submeter ao One Stop Clinic for Assessment of Risk, o O.S.C.A.R., exame que rastreia essas diferenças nos genes ainda no primeiro trimestre da gestação, entre a 11ª e a 14ª semanas. O diagnóstico mais comum é a trissomia cromossômica.
O exame é simples e rápido. A partir da análise do sangue da mãe, que traça o perfil bioquímico, e da ultrassonografia morfológica, que demonstra a formação do osso nasal e a translucência nucal (acúmulo de líquido na região da nuca, que desaparece após a 14ª semana de gestação), é possível fazer o mapeamento de um possível diagnóstico. Caso o resultado seja positivo, outros exames mais invasivos são recomendados. Com assertividade de 99,9%, a coleta do líquido amniótico e da placenta confirma ou descarta o diagnóstico.

Espaço para os especiais

Desde março de 2008, o Hospital Israelita Albert Einstein se vale de mais um aliado para atender as pessoas com Síndrome de Down. É o Centro Integrado de Atendimento à Criança e ao Adolescente com Síndrome de Down, integrado à Clínica de Especialidades Pediátricas e ao Centro de Reabilitação. Além do acompanhamento pediátrico especializado, cardiologistas, endocrinologistas, ortopedistas, oftalmologistas, entre outros, acompanham os pacientes para avaliar se apresentam as doenças mais comuns.
Fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais e fonoaudiólogos também fazem parte dessa abordagem multidisciplinar. Os profissionais cuidam da estimulação precoce, desenvolvendo a fala, a parte cognitiva e motora. Esse acompanhamento é realizado desde os primeiros meses de vida, e a frequência no atendimento depende das necessidades de cada criança. A partir das avaliações é feito um relatório para o pediatra, com sugestões de procedimentos em busca do progresso dos pequenos e adolescentes.